Parva que sou (Deolinda)

O teu tempo e a tua formação valem muito mais do que te querem fazer crer. Consciencializa-te disso e toma uma atitude! Exige retorno do investimento que fizeste em ti próprio.

 

“Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração ‘casinha dos pais’,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.”
(Deolinda)
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Sofia Fernandes

8 anos ago

Pois o que eu vou dizer é longo, mas é espelho da situação em que se encontram os novos jovens licenciados:

Se acabaste de sair da faculdade e andas à procura de emprego, não te preocupes que vais arranjar uma empresa que está disposta a con…tratar-te. No primeiro ano, és novo, ainda não tens experiência e não te conhecem bem, ficas em estágio profissional, é bom para ti e para a empresa.
Quando te reformares é menos um ano de descontos porque no estágio profissional não descontas para a Segurança Social…mas até te reformares ainda falta tanto tempo…isso não importa!

Depois do estágio profissional a empresa decide contratar-se. Yuppi, que bom! Já tens emprego. Ficas radiante com a oferta de 900 euros, afinal para um recém-licenciado que andou 4 anos a mergulhar a cabeça nos estudos já é muito bom. Afinal nem experiência tens, nem te conhecem bem, mesmo no final de um ano de estágio… 900 euros…quem dera a muitos!
A contabilista explica-te que ficas a recibos verdes. Mas o que é isso? Vai doer, Sra. Dra.? Claro que não, não dói nada, no primeiro ano até vai estar isento de descontos para a Segurança Social e para o IRS, acha que dói alguma coisa? Vá para casa descansado!

E tu vais, vais para casa descansado e contente com os teus 900 euros por mês, sem descontos, limpinhos como a água! Sem pensar que quando te reformares já lá vão dois anos de trabalho, mas sem descontos para a Segurança Social, ou seja, menos dois anos a contar para a reforma… Sem pensar no que vais ter que pagar de IRS quando apresentares a declaração no ano seguinte, por teres andado a “dever” ao Estado…

No fim do primeiro ano, meu amigo, depois de teres já saído de casa dos pais (afinal saiste da faculdade com 22, aos 23 começaste um estágio profissional, aos 24 arranjaste emprego, já tens idade para sair de casa e deixar os velhotes descansados!), estares a pagar uma renda pequenina de 250 euros, mais despesas mensais com água, gás e electricidade, gasóleo, telemóvel, etc., vais informar-te de como é a partir de agora, que já não vais ter isenção…

Bem, pois eu informo-te: o que te vai acontecer a partir de agora, é que vais ter que voltar para casa dos teus pais, porque uma vez que ganhas 900 euros por mês, não vais mais ter isenção. O que significa que depois de descontares para a Segurança Social e para o IRS vais ficar com 520,02 euros.

E não penses que é melhor do que estar a receber o ordenado mínimo, porque se recebesses o ordenado mínimo (475 euros), nas férias e no Natal recebias a dobrar, ou seja, ao fim de um ano tinhas ganho 6650 euros, fora o subsídio de almoço.

Assim, com os teus maravilhosos recibos verdes, vais ganhar, ao fim de um ano, 6240,24 euros, menos do que se ganhasses o salário mínimo e ainda por cima, sem subsídio de alimentação.

Mas se fores falar com o teu patrão para reclamares da situação em que te encontras…esquece! O que ele te vai responder é que não falta por aí gente acabadinha de sair da faculdade disposta a passar por tudo o que já passaste, right from the beginning!

Tens mesmo a certeza que queres aceitar uma proposta destas?

Ou preferes um contrato de trabalho para operador de caixa no Continente?

Cátia Tomé

8 anos ago

Muito bem!

obrigada Sofia

ricardo

8 anos ago

Que comment lindo! Parabéns à AFA!

loide

8 anos ago

muito bom Sofia é que é mesmo isso! para o mural da AFA este esclarecimento 🙂
abaixo os recibos verdes! p.s: qt à questão da reforma nem vale a pena ir por aí. não acredito que cheguemos a receber… mas sim descontemos pelo menos o direito ao subsidio de desemprego 😉

joana

8 anos ago

muito bom!
cmo me vejo kase ao espelho quando leio o k a sofia escreveu… enfim… é assim somos um pais d licenciados…

Sofia Lopes

8 anos ago

Este país necessita urgentemente de Agitação, e para isso quem melhor que os mais prejudicados….os JOVENS!

Joel Monteiro

8 anos ago

Bravo Sofia!

Hugo Menino Aguiar

8 anos ago

Bom post e comentário!

hugo.aguiar

8 anos ago

Ana

8 anos ago

Já Não Posso Mais!
Sou uma jovem de 27 anos e comecei a trabalhar aos 16 anos. Já trabalhei numa sapataria, em lojas, numa parafarmácia e em call centers. Em todos estes trabalhos fui bem sucedida, visto ser, e citando colegas e chefes ‘uma pessoa inteligente, trabalhadora e atenciosa’. Claro que falta dizer que nunca deixei de estudar por isso, todos estes trabalhos foram em part-time e trabalhos de férias para ajudar a pagar os estudos: Licenciei-me com boa nota e concluí um Mestrado com melhor média ainda. E posso dizer que deu bastante trabalho. Acabado o mestrado consegui trabalho durante quase um ano como bolseira de investigação científica. Trabalho duro, para quem não sabe, pois além de exigir muito mentalmente, também é fisicamente exigente, tendo mesmo tido vários dias de trabalho de 13 horas, alguns fins de semana e ainda levava trabalho para casa (trabalho este sempre feito com vontade, sem nenhum queixume). Terminados os primeiros meses deste contracto foi renovado por mais 4 meses. Terminado este período deixou de haver dinheiro para renovar contracto e fiquei desempregada. (cont.)

Sempre vivi em casa da minha mãe (que é mãe solteira e não é rica), e nos ultimos meses fui ajudando com uma parte do meu ordenado. Agora estou desempregada e não posso ajudá-la, em vez disso sou eu quem precisa de ajuda. Nunca tive direito a qualquer subsídio, nem de desemprego, pois como bolseira não tenho direito a nada disso. Nos anteriores trabalhos nunca tive acesso a um contracto superior a 6 meses, pelo que apesar de já ter descontado para a segurança social, nunca tive direito a subsídio de desemprego. (cont.)

Procuro activamente trabalho, vou fazendo pequenos trabalhos mal pagos para me manter (dobrar circulares, etc). Tentei arranjar trabalho em lojas (não é um sonho, mas até as coisas se ‘endireitarem’) mas não consegui porque, apesar de ter alguma experiência, tenho ‘demasiadas qualificações’ e sou olhada com alguma reserva pelas gerentes e funcionárias. Nem para trabalhar nas limpezas me querem, mesmo sabendo eu limpar e passar a ferro (coisas que sempre fiz em casa desde os meus 13 anos). (cont.)

Entretanto fiz alguns pequenos cursos de formação profissional para adquirir novas competências. Fazer outra licenciatura está fora de questão porque não há dinheiro e, com esta idade eu preciso é de trabalhar para poder construir a minha vida! Não tenho carro (é uma despesa fixa que não posso pagar). Não posso casar. Não posso pedir um empréstimo. Até tenho ideias de negócio mas não me concedem empréstimo: não tenho bens nem fiador. Não posso ainda ser mãe. (cont.)

Além de tudo isto e a contribuír para a minha revolta, sempre que vou a qualquer repartição pública vejo: pessoas (efectivas) que não trabalham bem, nem se esforçam por melhorar, atendem mal as pessoas e têm limitações a vários níveis. Não falam línguas, não percebem quase nada de informática, não se actualizam e, muitas vezes, nem percebem muito do que estão a fazer. Ora, posto isto… não quero ouvir comentários do género: ‘eles que se façam mas é à vida’… que ‘só por serem licenciados querem grandes empregos’, que ‘estes jovens não trabalham e só querem viver à custa dos pais’! Por mais que existam alguns jovens assim são, de facto, uma pequena minoria e tal argumento não deveria servir para ANIQUILAR UMA GERAÇÃO INTEIRA! (cont.)
Falam de pessoas que se fizeram uma licenciatura, se esforçaram de alguma maneira para ter uma vida condigna …uma VIDA À QUAL TÊM DIREITO… pessoas que se têm esforçado até então e nunca tiveram direito a nada! Não estamos a falar de pessoas que nunca quiseram fazer nada na vida, nem que se encostam a subsídios de insersão social ou de desemprego, que nunca se quiseram esforçar porque ‘estão bem como estão’. (cont.)

Toda a minha vida me esforcei (e vi a minha família esforçar-se), toda a minha vida trabalhei para poder vir a ter algo mais que ‘uma vida em casa da mãe’… em todos os trabalhos que fiz, fi-los o melhor possível, mesmo não gostando do que estava a fazer. Sou supostamente inteligente (com um QI de 151, querendo isto dizer o que quer que seja…) mas pelos vistos não sou é ESPERTA! Porque apesar de todo o esforço, nunca tive direito a nada! E ainda penso em ir trabalhar para fora. Mas até para isso tenho que primeiro arranjar um trabalho qualquer por cá para poupar algum dinheiro, para não ir sem nada – porque NADA é o que eu tenho! (cont.)

Que país é este onde além de não haver um único governante confiável … ainda tenho de ver e ouvir comentários estúpidos de pessoas que vêm a realidade de uma forma deturpada, ora através de lindos óculos cor de rosa: ‘jovens façam mas é outra licenciatura, e outra, e mais outra…pode ser que acertem’; ora de alguém que certamente ocupa um cargo quentinho qualquer: ‘não tenho nenhuma formação em particular, terminei o meu 10º ano, arranjei um taxo e aqui fiquei…nem tive de me preocupar … e daqui vocês não me podem tirar…não é que eu seja muito bom profissional mas… tenho os meus direitos laborais de EFECTIVO’… enfim…
Em suma, que país (e que gente) de merd*! … e não peço desculpa pela ‘indelicadeza’! (cont.)

Eu tenho direito a construír uma vida, tenho direito a ter um emprego condigno que me permita fazer planos a um prazo mais longo do que os 3 meses de um contracto num call center qualquer… tenho direito a poder ter a minha casa … tenho direito a poder ser mãe… tenho direito a poder VIVER!
E são estes os direitos FUNDAMENTAIS que estão a negar a uma geração inteira!
Já não posso mais. É TEMPO DE AGIR!

nina

8 anos ago

Tens toda a razão Ana, e acho que o jovens deviam se revoltar com esta situação. Mandar este governo prás urtigas, para ser delicada, e mudar esta bosta toda. CHEGA!!!

Luis

7 anos ago

Descobri por acaso e revi-me um pouco nos meus tempos (60 idade), agora dai a dizerem que nos não temos culpa é ingrato pois todos temos culpa nos problemas e nas vitórias pois vivemos num imenso mundo onde tudo esta ligado como teia de aranha. Nos mesu tempos de estudante tinha-mos as nossas lutas, levav-mos porrada das policias á epoca, rea-mos revoltados, começ-amos a trabalhar aos dez doze catorze, iamos prá guerra, eraá-mos enxovalhados pelos mais velhos e outras tantas,mas no meio disto tudo lutava-mos infiltravamo-nos nas organizações para as minar por dentro, ficava-mos presos porque alguem ue não nos gramava dizia que era-mos comunistas etc, haveria muita pagina para descrever os anos cincoenta, sessenta setenta oitenta etc. Agora uma coisa é certa sempre foi a mesma coisa só que a forma de dizer ou fazer é diferente, pois os politicos da época e os de hoje são iguais, e digo são igais porque nunca houve uma reforma séria no ensino, ou seja os que lá estavam são os que la estao hoje e fazem os de amanhã, com as mesmas palavras, os mesmos métodos, tudo igual só que a maneira de dizer empurra-nos para os mesmos procedimentos. (cito veiga simão soares almeida santo etc os mesmos de sempre, e isto leva-me a dizer que nunca desistam mas o caminho é dificil, mas pode er muito mais facil com certas tecnicas amplamente pesquisadas, mas por interesses só divulgadas para alguns.Portanto uma das coisas que nunca se deve fazer é atribuir culpas a alguem sem primeiro analisar o ue esta por tras das situações, e isso é um bom principio para se saber como tudo funciona em cada época, inclusive planear o futuro.Uma opinião de quem passou as passas do algarve, nunca desistir e procurar o caminho certo nao sendo este por vezes o mais faci, porque a vida sáo tem interesse quando temos obstaculos e os supera-mos, de resto seria uma pasmaceira, agora temos que projactar o futuro com o que temos pois os acrescimos retornam se o que fizer-mos for construtivo e não há mais pazer na vida do que construir. Felicidades a todos e deixem o passado e avancem para o futuro, mas aprendam bem o passado sem se ligarem a ele senão ficam virados ao contrario com o que nos sofre-mos.Prafrente toda a gente.

hugo.aguiar

7 anos ago

Obrigado Luís pela partilha. Para a frente toda a gente! Um abraço!

Luis

7 anos ago

Desculpem-me alguns trocadilhos nas palavras mas, como estava a fazer várias coisas a mesmo tempo não tive tempo de corrigir, mas percebe-se. Para voces todos, sucesso ( quando digo sucesso não me refiro a riqueza pois conheço tanta gente rica de dinheiro mas o resto é uma autentica miséria) com a vida a correr pelo melhor, e vão dando noticias pois eu não distingo idades, pois a diferença é apenas numérica e conheço muita juventude que é tão velha, que por vezes me arrepio. Dinamismo, objectividade humildade e vontade de lutar e tudo dá certo. A união sempre foi a chave de todo o sucesso, pois nas sociedades de agora individualismo é o fim da estrada.

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